No seguinte texto há um erro de lógica vulgo «BUG». Vale a pena procura-lo.
«Uma noite em que estive meditando
Horas longas nas coisas deste mundo,
Pouco a pouco me veio um sono brando
E, logo após, um sonho tão jucundo
Estranho, tão leve e extravagante,
Que só eu, mais ninguém, já teve assim:
Sonhei que era uma lépida e elegante
Borboleta... E da dália, do jasmim,
Do cravo, do junquilho, da violeta,
Tempos e tempos, uma vida inteira
Andei eu, verdadeira borboleta,
De pouso em pouso, ali, numa doideira,
Sobre o néctar dulcíssimo das flores.
E, com outras brilhantes companheiras,
Na estação doce e quente dos amores,
Montes percorri, campos e ribeiras,
Ao sabor das loucuras volitando.
Tal qual estou dizendo. E até me lembro
Que , numa tarde muito fria, quando
Sol procurava, em meados de Setembro,
Um vento tão gelado de repente
Me assaltou, e tão doente me senti,
Tão mal, tão mal, o corpo tão dormente,
Que ligo ali sobre um jasmim morri!
Despertei e acordado, por instantes,
Ainda insecto morto me julguei!
Que sonhos tem a gente extravagantes!
Sonhos?! - Que fosse sonho acreditei
Na ocasião; porém depois e agora,
Por muito que cogite - e cogitado
Tenho eu - no que tudo aquilo fora,
Vejo só que é um emaranhado...
Justifico: é que a minha convicção
De existir como insecto foi tão firme,
Como antes tinha sido a de sentir-me
Um bímano, de humana geração.
E, portanto: era eu homem e sonhei
Que era uma borboleta? ou esse insecto
Era e sou, e, por erro de intelecto,
Me julgo homem sem o ser»
Chuang Tzé
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